Pra. Silvia Nogueira
O que representa para as pastoras o pertencimento à Ordem dos Pastores Batistas do Brasil diante de tantas questões e tarefas mais necessárias e urgentes? Essa é uma pergunta que ouço com certa constância. E, de fato, diante do cotidiano desafio missionário, do cuidado pastoral com pessoas sob nossa responsabilidade na comunidade, diante da vivência cristã relevante no mundo, das respostas evangélicas às tensões do nosso tempo e das desastrosas consequências sociais da degradação do planeta, o pertencimento a OPBB é uma questão menor. No entanto, é algo que tem se constituído de uma forma que não é mais possível ignorar como uma necessidade na relação igreja batista-vocacionado-CBB. Para ser clara, colocarei os “poderes” em seu devido lugar.
Primeiro, ninguém – e é ninguém mesmo- pode arbitrar se uma pessoa, mulher ou homem, recebeu um dom do Espírito Santo, já que para os puristas está escrito literalmente que o Espírito Santo o faz como quer, a quem quer[1]. Isso por si só deveria encerrar qualquer discussão sobre essa questão, mas por séculos não tem sido esse o sábio caminho.
Segundo, no caso dos batistas brasileiros, se por um lado não se pode arbitrar sobre a quem Deus dá ou não dá dons, por outro, podemos e devemos reconhecer a vocação de uma pessoa, mulher ou homem, na vivência comunitária. Sim, porque é para servir em ministério eclesiástico que o Espírito Santo confere dons. Logo, a igreja deve reconhecer a vocação alegada pelo irmão ou irmã. Eis aí uma das mais belas manifestações da coletividade evangélica, já que é ela quem reconhece, legitima, abriga e mobiliza o ministério do vocacionado(a). Nisso repousa minha crença inabalável de que o pastorado batista é legitimado não por pastores, mas por igrejas. Daí a nulidade de uma carteira da ordem de pastores para ser pastor(a) e exercer o ministério.
Terceiro, para os mais preocupados com a tradição denominacional, é importante compreender que a CBB, na pessoa de sua diretoria e executivos, e mais, a assembleia da CBB, jamais fará coisa alguma que desabone a soberania e autonomia das igrejas locais, sobretudo, na questão dos ministérios ordenados. Então, se alguém espera um comunicado oficial, através de uma espécie de decreto para que a partir da data tal as igrejas filiadas possam ordenar mulheres ao ministério pastoral, vai ficar esperando ou se resguardando de agir nessa espera.
E a Ordem, como ela fica nessa relação Igreja-vocacionado(a)-CBB? Acredito que essa é a pergunta do momento. A Ordem não é um sindicato de profissionais do ministério pastoral batista, ela não é uma representação das igrejas batistas, já que muitos pastores e quase a totalidade das pastoras não são filiados à ela[2]. O que ela é, ou melhor, tem sido? Uma convidada das igrejas para participar de um momento sempre emocionante nessa relação Igreja-vocacionado(a). Percebam que não entro no mérito do porquê a atual ordem é resistente (a maioria simples, mas não unânime)[3] e proíba novas filiações de pastoras. O que na verdade faz com que o pertencimento das pastoras à Ordem se transforme em uma necessidade histórica da qual é importante um aggiornamento? porque esse grupo de cavalheiros tem se interposto negativamente na relação Igreja -vocacionado(a)-CBB. Quando uma igreja batista filiada à CBB convoca um concílio e, segundo sua tradição, e não por necessidade[4], quer seguir as recomendações da CBB[5] e emite um convite à Ordem ela aguarda ser atendida. No entanto, tem havido uma recomendação, se oficial, não sei, com “ameaça”, de que tipo, não sei, que tem impedido os filiados de atenderem tranqüilamente ao convite das igrejas. E mais, quando para a Ordem somente é pastor batista quem possui uma carteira da Ordem e, ao mesmo tempo, desencoraja, para dizer o mínimo, os seus filiados a atender a convocação da igreja, ela deliberadamente se interpõe nessa relação. Em resumo, a ordem tem dificultado, até em muitos casos, inviabilizado, o exame tradicional recomendado pela CBB de candidatas ao ministério da Palavra. Ou seja, a OPBB, lamentavelmente, está interferindo no exercício sagrado da vocação. Quem fez com que a filiação à Ordem se transformasse, portanto, em uma necessidade para as pastoras foi a própria ordem. Logo, se é uma necessidade, bateremos insistentemente, até que a porta abra[6]. A ordenação feminina, como todo processo histórico segue, tem etapas e é preciso cumprí-las. A de agora, diz respeito à visibilidade institucional necessária as vocações despertadas e assumidas publicamente há 11 anos. Caso não haja um reposicionamento da Ordem em aceitar o ingresso e a liberação dos filiados na participação conciliar quando convidados pelas igrejas, não significará um retrocesso no avanço das ordenações femininas no Brasil Batista. Graças a Deus, o processo não é visível nos meios oficiais, mas é pujante e irreversível. A Ordem chega atrasada nesse processo no qual ela é coadjuvante por tradição, mas que diz respeito especialmente e legitimamente a Deus-vocacionado(a)-Igreja. O que esperamos dela, sobretudo a partir de sua diretoria e executivo, é que acolha mulheres e homens a quem Deus chamou e igrejas batistas reconheceram em suas vocações. Gentil, mas firmemente, lhes peço, revejam a decisão de Cuiabá e preparem-se para realmente dialogar como colegas de ministério que somos.
Pastora Silvia Nogueira
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Motivaçoes
Nossas Motivaçoes
Motivações
Texto . Gn 4.1-16
O ser humano é movido por motivações. Quando comemos é porque estamos com fome. Se dormirmos é porque estamos com sono. Se bebermos água é porque estamos com sede. A motivação é inerente à formação do homem. Faz parte de nossa formação. Todos nós somos motivados a fazer, a ser, a ter. Há sempre uma mola propulsora que nos motiva aos desafios da vida. Até mesmo as tarefas mais simples precisam ser motivadas por algo.
Vamos definir MOTIVAÇÃO: CONJUNTO DE FATORES QUE DETERMINA A CONDUTA DO INDIVIDUO. (Aurélio) Causar- produzir- incentivar – mobilizar para ato do fazer.
Guarda com toda a diligência o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida. Pv.4.23
Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o poderá conhecer?Jr. 17.9
Como saber quando estamos enganados?
O nosso coração é enganoso quando as nossas motivações estão contrárias aos princípios da palavra de Deus. Quando a minha conduta está fora do principio da palavra de Deus.
1. Vamos analisar a conduta de Caim:
Ele resolveu dar uma oferta ao Senhor : Quais eram seus motivos:
A) Ele achava que Deus precisava da oferta dele: O PRINCIPIO BIBLICO DIZ QUE DEUS NÃO PRECISA DE NADA-
ELE CRIOU O HOMEM GN2.7
NA MÃO DELE ESTÁ NOSSA VIDA JO. 12.10
ELE NÃO É SERVIDO PELOS HOMENS At. 17.24-26 –
B) Ele queria ficar bem na fita.A oferta tinha só aparência de algo bom. Ele queria enganar a Deus. Fazendo-se de bom.
O CORAÇÃO BOM FAZ O QUE É BOM Lc.6.45 –
O VERDADEIRO SERVO DE DEUS FAZ PARA AGRADAR A DEUS Ef. 6.6
DEUS VE O CORAÇÃO – DEUS VIU SEU CORAÇÃO MAL
1 SM.16.7
“Uma oferta” significa qualquer coisa, não havia verdadeira alegria no coração dele 2Co.9.7 – 2 Tm . 3.5 –
Deus não aceita nada por aparência Gl.2.6
Suas ações não eram movidas para o bem. V.7 - 1 Jo.3.12
A conseqüência da motivação errada de Caim:
Ele se irou com seu irmão e o matou v. 5 – Mc.7.21 –
Hb. 3.12 e13
A MOTIVAÇÃO DE CAIM O LEVOU AO INFERNO
2) Vamos analisar a conduta de Abel .
A motivação de Abel estava de acordo com os princípios da palavra de Deus Hb. 10. 22 cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé; tendo o coração purificado da má consciência, e o corpo lavado com água limpa,
a) Abel apresentou a Deus as primícias do seu rebanho; isso nos mostra que no coração de Abel Deus vinha em primeiro lugar.
b) Ele trouxe o melhor ( as partes gordas) isso nos mostra que ele sabia que tudo o que tinha era de Deus e que precisava apenas devolver ao Senhor;
c) Abel , conhecia a Deus PELA FÉ , e por isso o adorava com verdadeiro coração. JO 4.23.24 HB.11.4
A MOTIVAÇÃO DE ABEL O LEVOU AO CÉU
Concluo
QUAIS TEM SIDO NOSSAS MOTIVAÇOES?
PARA VIR A CASA DE DEUS ?
PARA ESTUDAR A PALAVRA DE DEUS?
PARA OFERTAR NA CASA DO SENHOR?
QUAIS OS VERDADEIROS SENTIMENTOS NO CORAÇÃO?
QUAL O VERDADEIRO MOTIVO PELO QUAL TRABALHAMOS NA CASA DE DEUS?
Motivações
Texto . Gn 4.1-16
O ser humano é movido por motivações. Quando comemos é porque estamos com fome. Se dormirmos é porque estamos com sono. Se bebermos água é porque estamos com sede. A motivação é inerente à formação do homem. Faz parte de nossa formação. Todos nós somos motivados a fazer, a ser, a ter. Há sempre uma mola propulsora que nos motiva aos desafios da vida. Até mesmo as tarefas mais simples precisam ser motivadas por algo.
Vamos definir MOTIVAÇÃO: CONJUNTO DE FATORES QUE DETERMINA A CONDUTA DO INDIVIDUO. (Aurélio) Causar- produzir- incentivar – mobilizar para ato do fazer.
Guarda com toda a diligência o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida. Pv.4.23
Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o poderá conhecer?Jr. 17.9
Como saber quando estamos enganados?
O nosso coração é enganoso quando as nossas motivações estão contrárias aos princípios da palavra de Deus. Quando a minha conduta está fora do principio da palavra de Deus.
1. Vamos analisar a conduta de Caim:
Ele resolveu dar uma oferta ao Senhor : Quais eram seus motivos:
A) Ele achava que Deus precisava da oferta dele: O PRINCIPIO BIBLICO DIZ QUE DEUS NÃO PRECISA DE NADA-
ELE CRIOU O HOMEM GN2.7
NA MÃO DELE ESTÁ NOSSA VIDA JO. 12.10
ELE NÃO É SERVIDO PELOS HOMENS At. 17.24-26 –
B) Ele queria ficar bem na fita.A oferta tinha só aparência de algo bom. Ele queria enganar a Deus. Fazendo-se de bom.
O CORAÇÃO BOM FAZ O QUE É BOM Lc.6.45 –
O VERDADEIRO SERVO DE DEUS FAZ PARA AGRADAR A DEUS Ef. 6.6
DEUS VE O CORAÇÃO – DEUS VIU SEU CORAÇÃO MAL
1 SM.16.7
“Uma oferta” significa qualquer coisa, não havia verdadeira alegria no coração dele 2Co.9.7 – 2 Tm . 3.5 –
Deus não aceita nada por aparência Gl.2.6
Suas ações não eram movidas para o bem. V.7 - 1 Jo.3.12
A conseqüência da motivação errada de Caim:
Ele se irou com seu irmão e o matou v. 5 – Mc.7.21 –
Hb. 3.12 e13
A MOTIVAÇÃO DE CAIM O LEVOU AO INFERNO
2) Vamos analisar a conduta de Abel .
A motivação de Abel estava de acordo com os princípios da palavra de Deus Hb. 10. 22 cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé; tendo o coração purificado da má consciência, e o corpo lavado com água limpa,
a) Abel apresentou a Deus as primícias do seu rebanho; isso nos mostra que no coração de Abel Deus vinha em primeiro lugar.
b) Ele trouxe o melhor ( as partes gordas) isso nos mostra que ele sabia que tudo o que tinha era de Deus e que precisava apenas devolver ao Senhor;
c) Abel , conhecia a Deus PELA FÉ , e por isso o adorava com verdadeiro coração. JO 4.23.24 HB.11.4
A MOTIVAÇÃO DE ABEL O LEVOU AO CÉU
Concluo
QUAIS TEM SIDO NOSSAS MOTIVAÇOES?
PARA VIR A CASA DE DEUS ?
PARA ESTUDAR A PALAVRA DE DEUS?
PARA OFERTAR NA CASA DO SENHOR?
QUAIS OS VERDADEIROS SENTIMENTOS NO CORAÇÃO?
QUAL O VERDADEIRO MOTIVO PELO QUAL TRABALHAMOS NA CASA DE DEUS?
sábado, 23 de abril de 2011
IGUALDADE AOS OLHOS DO PAI
IGUALDADE ENTRE HOMEM E MULHER
* Pr. Edvar Gimenes* Pastor da IB da Graça, Salvador, BA (http://blogdoedvar.blogspot.com/)
I. Igualdade na condição de filhos de Deus "Todos vocês são filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus, pois os que em Cristo foram batizados, de Cristo se revestiram. Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher; pois todos são um em Cristo Jesus" (Gal. 3.26-28 NVI);
II. Igualdade na quantidade de parceiros
"...por causa da imoralidade, cada um deve ter sua própria esposa, e cada mulher seu próprio esposo" (I cor. 7.2 NVI);
III. Igualdade na autoridade sobre o corpo "A mulher não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, mas sim o marido. Da mesma forma, o marido não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, mas sim a mulher" (I cor. 7.4-5 NVI);
IV. Igualdade no cumprimento dos deveres conjugais "O marido deve cumprir os seus deveres conjugais para com sua mulher, e da mesma forma a mulher para com o seu marido" (I cor. 7.3 NVI);
V. Igualdade na interdependência
"No senhor, todavia, a mulher não é independente do homem, nem o homem independente da mulher. Pois assim como a mulher proveio do homem, também o homem nasce da mulher. Mas tudo provém de Deus". (I Cor. 11.11-12 NVI);
VI. Igualdade na manifestação de amor
"Maridos, ame cada um a sua mulher..." (Ef. 5.25 NVI);
"...assim, poderão orientar as mulheres mais jovens a amarem seus maridos..." (Tito 2.4 NVI);
VII. Igualdade na sujeição mútua "Sujeitem-se uns aos outros, por temor a Cristo" (Ef. 5.21 NVI).
Na seqüência desse texto, quando a orientação é direcionada à mulher (Ef. 5.22-24), a palavra submissão não aparece no original grego. A explicação que deduzo para a inclusão dela em nossas bíblias é de natureza ideológica, visando reforçar a tradição cultural da submissão. (Se quer entender melhor a influência ideológico-doutrinária na tradução da Bíblia, leia o texto de Luiz Sayão sobre o "Perfil Teológico da Nova Versão Internacional" - NVI em: http://www.editoravida.com.br/biblias_nvi/perfil_teologico.asp )
Além disso, a própria recomendação de submissão começa a clarear quando é justificada por conveniência, nas palavras de Paulo ("... como convém a quem está no Senhor" (Col. 3.18 NVI)) e ganha brilho total como estratégia de evangelização, nas palavras de Pedro ("... a fim de que, se ele não obedece à palavra, seja ganho sem palavras, pelo procedimento da mulher..." (I Pd. 3.1 NVI)).
Observe que, no contexto das palavras de Pedro, ele se dirigia aos escravos ensinando que deveriam sujeitar-se aos seus senhores e usa o exemplo da sujeição de Jesus diante de injustiças, em função de uma finalidade maior que era levar pessoas à salvação.
Deduz-se daí que tanto a sujeição de escravos quanto a das esposas, seriam tão injustas quanto os sofrimentos impostos a Jesus (I Pd. 2.21-24), mas sua aceitação deveria se dar porque havia algo maior em vista: a salvação de pessoas.
Portanto, a sujeição recomendada não tem por objetivo perpetuar um modelo de casamento no qual as mulheres devem sujeitar-se unilateralmente aos maridos, mas estimular uma atitude que poderia facilitar a conversão deles, em uma cultura machista. Logo, se marido e mulher forem cristãos, a finalidade da recomendação perde o sentido.”
Pra. Zenilda Reggiani Cintra
http://pastorazenilda.blogspot.com/
http://caminhosdamulherdedeus.blogspot.com/
Blog das pastoras batistas: http://pastorasbatistasdacbb.blogspot.com/
* Pr. Edvar Gimenes* Pastor da IB da Graça, Salvador, BA (http://blogdoedvar.blogspot.com/)
I. Igualdade na condição de filhos de Deus "Todos vocês são filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus, pois os que em Cristo foram batizados, de Cristo se revestiram. Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher; pois todos são um em Cristo Jesus" (Gal. 3.26-28 NVI);
II. Igualdade na quantidade de parceiros
"...por causa da imoralidade, cada um deve ter sua própria esposa, e cada mulher seu próprio esposo" (I cor. 7.2 NVI);
III. Igualdade na autoridade sobre o corpo "A mulher não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, mas sim o marido. Da mesma forma, o marido não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, mas sim a mulher" (I cor. 7.4-5 NVI);
IV. Igualdade no cumprimento dos deveres conjugais "O marido deve cumprir os seus deveres conjugais para com sua mulher, e da mesma forma a mulher para com o seu marido" (I cor. 7.3 NVI);
V. Igualdade na interdependência
"No senhor, todavia, a mulher não é independente do homem, nem o homem independente da mulher. Pois assim como a mulher proveio do homem, também o homem nasce da mulher. Mas tudo provém de Deus". (I Cor. 11.11-12 NVI);
VI. Igualdade na manifestação de amor
"Maridos, ame cada um a sua mulher..." (Ef. 5.25 NVI);
"...assim, poderão orientar as mulheres mais jovens a amarem seus maridos..." (Tito 2.4 NVI);
VII. Igualdade na sujeição mútua "Sujeitem-se uns aos outros, por temor a Cristo" (Ef. 5.21 NVI).
Na seqüência desse texto, quando a orientação é direcionada à mulher (Ef. 5.22-24), a palavra submissão não aparece no original grego. A explicação que deduzo para a inclusão dela em nossas bíblias é de natureza ideológica, visando reforçar a tradição cultural da submissão. (Se quer entender melhor a influência ideológico-doutrinária na tradução da Bíblia, leia o texto de Luiz Sayão sobre o "Perfil Teológico da Nova Versão Internacional" - NVI em: http://www.editoravida.com.br/biblias_nvi/perfil_teologico.asp )
Além disso, a própria recomendação de submissão começa a clarear quando é justificada por conveniência, nas palavras de Paulo ("... como convém a quem está no Senhor" (Col. 3.18 NVI)) e ganha brilho total como estratégia de evangelização, nas palavras de Pedro ("... a fim de que, se ele não obedece à palavra, seja ganho sem palavras, pelo procedimento da mulher..." (I Pd. 3.1 NVI)).
Observe que, no contexto das palavras de Pedro, ele se dirigia aos escravos ensinando que deveriam sujeitar-se aos seus senhores e usa o exemplo da sujeição de Jesus diante de injustiças, em função de uma finalidade maior que era levar pessoas à salvação.
Deduz-se daí que tanto a sujeição de escravos quanto a das esposas, seriam tão injustas quanto os sofrimentos impostos a Jesus (I Pd. 2.21-24), mas sua aceitação deveria se dar porque havia algo maior em vista: a salvação de pessoas.
Portanto, a sujeição recomendada não tem por objetivo perpetuar um modelo de casamento no qual as mulheres devem sujeitar-se unilateralmente aos maridos, mas estimular uma atitude que poderia facilitar a conversão deles, em uma cultura machista. Logo, se marido e mulher forem cristãos, a finalidade da recomendação perde o sentido.”
Pra. Zenilda Reggiani Cintra
http://pastorazenilda.blogspot.com/
http://caminhosdamulherdedeus.blogspot.com/
Blog das pastoras batistas: http://pastorasbatistasdacbb.blogspot.com/
terça-feira, 19 de abril de 2011
Carta Aberta as Pastoras Batistas
Caríssimas irmãs, servas de Jesus Cristo e de sua Igreja,
Quero compartilhar o atual momento da relação mulheres e ministério batista em nome das mulheres batistas ordenadas ao ministério pastoral. Começo por compartilhar um texto que fala muito ao meu coração. Quando abrimos o texto bíblico, poucas vezes escolhemos narrativas em que o personagem é feminino. Acredito que isso seja um reflexo da nossa educação teológica que favorece e privilegia um anonimato feminino nas questões do texto bíblico. É quase como se não existissem lições a aprender com as mulheres na Bíblia. Obviamente, isso é um erro. Tento resgatar essa voz, sempre que posso, nas minhas pregações pelo país. Então, naturalmente, os textos em que as mulheres protagonizam sempre me solicitam. É o que acontece com Marcos 14,3-9. Prefiro a narrativa de Marcos a de Mateus e João por dois motivos: o primeiro, por ser Marcos o evangelho escrito mais antigo; o segundo, porque a mulher nesse evangelho não tem nome e o evangelista faz questão de explicar aos leitores que Jesus disse (v.8) que ela fez o que estava nas suas mãos para fazer com uma finalidade profética.
A lição hermenêutica propõe que diante de um texto dos evangelhos, devemos encontrar a pergunta geradora da história narrada, isto é, recuperar a pergunta que originou na vida da comunidade a reunião daquelas histórias sobre Jesus em detrimento de outras. Diante de Marcos 14, a pergunta “provocadora” da história pode ser recuperada pela finalização dada por Jesus. Jesus ensina a todos os presentes, na casa daquele homem considerado impuro, que o feito da mulher, deveria ser lembrado em todos os lugares onde as boas novas do Cristo fossem anunciadas. A história, então, foi contada por causa de um pedido de Jesus: preservar os feitos da mulher que o serviu de forma tão generosa e profética. Talvez a outra pergunta necessária seria, por que para Jesus era importante construir essa memória? Vocação, ministério, é serviço. Mas também é movimento. Mover-se, desinstalar-se é condição necessária ao exercício de nossas vocações e ministérios. Jesus diz aos seus outros discípulos e ao anfitrião do jantar que aquela mulher havia lhe servido, realizado uma boa obra. E as obras que as mulheres executam no Reino em geral sofrem com a crítica, o desrespeito e as proibições colocadas pelos discípulos do Senhor, mas não pelo Senhor. O Senhor Jesus tem nos garantido o espaço para servir. Por muito tempo, descansamos nessa verdade sublime. Mas chamo a atenção para o fato de que essa lição está incompleta. O que Marcos não pode deixar de registrar como resposta a segunda pergunta é que Jesus censura os que não entenderam, criticaram e tentaram impedir a boa obra daquela mulher e isso também deve ser lembrado para que não se repita de novo na igreja do Senhor. Mas tem se repetido. E se o gesto da mulher foi profético para anunciar a morte do Cristo e sua ressurreição, foi igualmente profético na coragem de servir e construir uma memória sobre seu feito e sobre a tentativa de proibição censurável dos discípulos de Jesus.
Escrevo para celebrar a memória dos seus feitos, minhas irmãs, nos campos missionários, com a ousadia profética e com a vontade de servir - cumprindo a missão que receberam e as movimentam. No entanto, escrevo também para dizer-lhes da outra memória que o texto aponta: a ação dos discípulos de Jesus em criticar, em tentar silenciar e invalidar o gesto daquela mulher, foi censurada pelo Mestre no passado e continua sendo censurável. E Deus nos convoca também a fazer algo sobre isso. Por exemplo, há 11 anos existem pastoras ordenadas em igrejas batistas filiadas à CBB e pouca gente sabe disso. Os canais oficiais da denominação quase não dão visibilidade a esse fato. Quando o fazem geralmente é para apresentar as vozes de discípulos que criticam ou deslegitimam os ministérios dessas mulheres. Outro exemplo, atualmente, a ordem dos pastores tenta impedir novas ordenações femininas ao ministério pastoral, não recomendando a participação de pastores filiados no exame conciliar convocado pelas igrejas batistas. Mais outro exemplo: alguns discípulos tem construído um discurso de que as pastoras são ordenadas apenas para a igreja que solicitou sua ordenação, ou seja, elas não são pastoras do ministério batista. E ainda outro: o silenciamento na educação teológica da possibilidade das mulheres que fazem teologia serem também pastoras ao final do curso, caso tenham essa vocação. E um último exemplo conhecido de todas: o desprestigio do trabalho missionário realizado pelas mulheres, seja em salários menores, seja no limite da atuação ministerial, seja ainda na altivez de pastores no tratamento com as missionárias. Sei que muitas de vocês não enxergam em si mesmas a vocação pastoral. Sei que muitas já enterraram essa identificação por temer causar qualquer tensão na denominação. Sei ainda que muitas esperam uma declaração oficial sobre o assunto. Nesse último item, afirmo: a CBB jamais poderá normatizar/oficializar a ordenação feminina, como jamais normatizou/oficializou a ordenação masculina, já que a ordenação ao ministério da palavra é prerrogativa da igreja e não da CBB. E já somos tantas, de diferentes idades, condição econômica, localização geográfica, estado civil, entre outras diversidades.
O que pode ser feito para tranqüilizar processos é justamente o motivo desta carta longa, mas necessária. O que pode fazer com que vocacionadas ao ministério pastoral se sintam mais seguras na vivência de suas vocações, em campos missionários ou não, é o fim da critica, do silenciamento e das tentativas de proibição operados pela ordem dos pastores.
Uma das estratégias que imagino para isso é uma presença, ostensiva, corajosa e profética na próxima assembléia da Convenção Batista Brasileira, no Paraná. O que estou lhes pedindo, queridas irmãs, é envolvimento. Envolvimento com suas orações, com seu discurso inclusivo e educativo, discurso que anuncie essa memória, com sua presença física na assembléia ou online no nosso blog quando for a hora - ao final do jantar. Não é obra de uma mulher apenas, minha ou de outra qualquer, mas é uma obra, coletiva, comunitária, representativa de todas nós que servimos a Jesus derramando nossas vidas sobre Ele. Estamos nos organizando para respaldadas na fala do próprio Cristo celebrar o que Deus tem feito na vida das mulheres batistas em ministérios, ordenados ou não. Esse é o nosso legado ao futuro. Esse é meu pedido profético a vocês.
Outro importante e necessário pedido: queremos, através do blog do encontro das pastoras, dar memória de suas boas obras, suas histórias ministeriais, seus desafios e vivências, sua trajetória. Envie-nos seus textos. O espaço se chamará: “A voz das Febes”. A intenção final é realizar um grande movimento de visibilidade do ministério feminino que inspire novas vocações e melhore significativamente o exercício dessas vocações no seio denominação. Aguardamos vocês. Em breve, também estaremos promovendo encontros regionais para apoio mútuo, com oração e reflexão bíblica.
Textos podem ser enviados para : pra21nogueira@yahoo.com.br e para zenildacintra@uol.com.br
Blog das pastoras batistas: http://pastorasbatistasdacbb.blogspot.com/
No fraterno Cristo,
Pastora Silvia Nogueira
Diretora do Seminário Teológico Batista em Belford Roxo, membro da PIB em Vila de Cava-RJ.
Quero compartilhar o atual momento da relação mulheres e ministério batista em nome das mulheres batistas ordenadas ao ministério pastoral. Começo por compartilhar um texto que fala muito ao meu coração. Quando abrimos o texto bíblico, poucas vezes escolhemos narrativas em que o personagem é feminino. Acredito que isso seja um reflexo da nossa educação teológica que favorece e privilegia um anonimato feminino nas questões do texto bíblico. É quase como se não existissem lições a aprender com as mulheres na Bíblia. Obviamente, isso é um erro. Tento resgatar essa voz, sempre que posso, nas minhas pregações pelo país. Então, naturalmente, os textos em que as mulheres protagonizam sempre me solicitam. É o que acontece com Marcos 14,3-9. Prefiro a narrativa de Marcos a de Mateus e João por dois motivos: o primeiro, por ser Marcos o evangelho escrito mais antigo; o segundo, porque a mulher nesse evangelho não tem nome e o evangelista faz questão de explicar aos leitores que Jesus disse (v.8) que ela fez o que estava nas suas mãos para fazer com uma finalidade profética.
A lição hermenêutica propõe que diante de um texto dos evangelhos, devemos encontrar a pergunta geradora da história narrada, isto é, recuperar a pergunta que originou na vida da comunidade a reunião daquelas histórias sobre Jesus em detrimento de outras. Diante de Marcos 14, a pergunta “provocadora” da história pode ser recuperada pela finalização dada por Jesus. Jesus ensina a todos os presentes, na casa daquele homem considerado impuro, que o feito da mulher, deveria ser lembrado em todos os lugares onde as boas novas do Cristo fossem anunciadas. A história, então, foi contada por causa de um pedido de Jesus: preservar os feitos da mulher que o serviu de forma tão generosa e profética. Talvez a outra pergunta necessária seria, por que para Jesus era importante construir essa memória? Vocação, ministério, é serviço. Mas também é movimento. Mover-se, desinstalar-se é condição necessária ao exercício de nossas vocações e ministérios. Jesus diz aos seus outros discípulos e ao anfitrião do jantar que aquela mulher havia lhe servido, realizado uma boa obra. E as obras que as mulheres executam no Reino em geral sofrem com a crítica, o desrespeito e as proibições colocadas pelos discípulos do Senhor, mas não pelo Senhor. O Senhor Jesus tem nos garantido o espaço para servir. Por muito tempo, descansamos nessa verdade sublime. Mas chamo a atenção para o fato de que essa lição está incompleta. O que Marcos não pode deixar de registrar como resposta a segunda pergunta é que Jesus censura os que não entenderam, criticaram e tentaram impedir a boa obra daquela mulher e isso também deve ser lembrado para que não se repita de novo na igreja do Senhor. Mas tem se repetido. E se o gesto da mulher foi profético para anunciar a morte do Cristo e sua ressurreição, foi igualmente profético na coragem de servir e construir uma memória sobre seu feito e sobre a tentativa de proibição censurável dos discípulos de Jesus.
Escrevo para celebrar a memória dos seus feitos, minhas irmãs, nos campos missionários, com a ousadia profética e com a vontade de servir - cumprindo a missão que receberam e as movimentam. No entanto, escrevo também para dizer-lhes da outra memória que o texto aponta: a ação dos discípulos de Jesus em criticar, em tentar silenciar e invalidar o gesto daquela mulher, foi censurada pelo Mestre no passado e continua sendo censurável. E Deus nos convoca também a fazer algo sobre isso. Por exemplo, há 11 anos existem pastoras ordenadas em igrejas batistas filiadas à CBB e pouca gente sabe disso. Os canais oficiais da denominação quase não dão visibilidade a esse fato. Quando o fazem geralmente é para apresentar as vozes de discípulos que criticam ou deslegitimam os ministérios dessas mulheres. Outro exemplo, atualmente, a ordem dos pastores tenta impedir novas ordenações femininas ao ministério pastoral, não recomendando a participação de pastores filiados no exame conciliar convocado pelas igrejas batistas. Mais outro exemplo: alguns discípulos tem construído um discurso de que as pastoras são ordenadas apenas para a igreja que solicitou sua ordenação, ou seja, elas não são pastoras do ministério batista. E ainda outro: o silenciamento na educação teológica da possibilidade das mulheres que fazem teologia serem também pastoras ao final do curso, caso tenham essa vocação. E um último exemplo conhecido de todas: o desprestigio do trabalho missionário realizado pelas mulheres, seja em salários menores, seja no limite da atuação ministerial, seja ainda na altivez de pastores no tratamento com as missionárias. Sei que muitas de vocês não enxergam em si mesmas a vocação pastoral. Sei que muitas já enterraram essa identificação por temer causar qualquer tensão na denominação. Sei ainda que muitas esperam uma declaração oficial sobre o assunto. Nesse último item, afirmo: a CBB jamais poderá normatizar/oficializar a ordenação feminina, como jamais normatizou/oficializou a ordenação masculina, já que a ordenação ao ministério da palavra é prerrogativa da igreja e não da CBB. E já somos tantas, de diferentes idades, condição econômica, localização geográfica, estado civil, entre outras diversidades.
O que pode ser feito para tranqüilizar processos é justamente o motivo desta carta longa, mas necessária. O que pode fazer com que vocacionadas ao ministério pastoral se sintam mais seguras na vivência de suas vocações, em campos missionários ou não, é o fim da critica, do silenciamento e das tentativas de proibição operados pela ordem dos pastores.
Uma das estratégias que imagino para isso é uma presença, ostensiva, corajosa e profética na próxima assembléia da Convenção Batista Brasileira, no Paraná. O que estou lhes pedindo, queridas irmãs, é envolvimento. Envolvimento com suas orações, com seu discurso inclusivo e educativo, discurso que anuncie essa memória, com sua presença física na assembléia ou online no nosso blog quando for a hora - ao final do jantar. Não é obra de uma mulher apenas, minha ou de outra qualquer, mas é uma obra, coletiva, comunitária, representativa de todas nós que servimos a Jesus derramando nossas vidas sobre Ele. Estamos nos organizando para respaldadas na fala do próprio Cristo celebrar o que Deus tem feito na vida das mulheres batistas em ministérios, ordenados ou não. Esse é o nosso legado ao futuro. Esse é meu pedido profético a vocês.
Outro importante e necessário pedido: queremos, através do blog do encontro das pastoras, dar memória de suas boas obras, suas histórias ministeriais, seus desafios e vivências, sua trajetória. Envie-nos seus textos. O espaço se chamará: “A voz das Febes”. A intenção final é realizar um grande movimento de visibilidade do ministério feminino que inspire novas vocações e melhore significativamente o exercício dessas vocações no seio denominação. Aguardamos vocês. Em breve, também estaremos promovendo encontros regionais para apoio mútuo, com oração e reflexão bíblica.
Textos podem ser enviados para : pra21nogueira@yahoo.com.br e para zenildacintra@uol.com.br
Blog das pastoras batistas: http://pastorasbatistasdacbb.blogspot.com/
No fraterno Cristo,
Pastora Silvia Nogueira
Diretora do Seminário Teológico Batista em Belford Roxo, membro da PIB em Vila de Cava-RJ.
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Quanto Custa o Chamado
Os caminhos de Deus não obedecem a nossa geografia.Jesus quando nos chama diz IDE e só isso. No ministério só há lugar para chamados . Deus é quem chama , isso é fato. Deus é quem dá o dom. Mas , sem duvida que o preço é nós os chamados que pagamos. Um preço alto em todos os sentidos, preconceitos, perseguições, manipulações , politicas as avessas. Mas ainda assim ,Deus nos usa apesar da gente. Quantas vezes ficamos a nos perguntar o que foi que Deus viu em nós para nos dar tal encargo? Uma coisa é certa: é preciso carregar as marcas de Deus em nós para essa tarefa dificil. Essa tarefa passa por tres massimas :
Humildade - com certeza no pastorado não tem lugar para estrelato. não somos chamadas por Deus para estrelar, mas para servir ao bom Mestre e sua igreja com dedicação e afinco a cada dia.
Integridade - é preciso ser integro para o pastorado , o nome que levamos vale uma vida. Ter integridade significa ter uma vida ajustada em todas as areas: emocional, financeira, familiar , não tem como acertar se não for integro em todo o proceder.
Seriedade - levar o ministério entendendo que não temos nada para dar de nós mesmas , o que temos é o que recebemos do pai Celestial. Não existem atalhos. A fé cristã não é uma corrida de 50 metros , mas uma maratona, uma corrida para a vida toda, e eu preciso ensinar isso com seriedade para minhas ovelhas.E acima de tudo precisamos entender que a Unidade não é uma opção mas um mandato de Deus para nós os chamados.
Humildade - com certeza no pastorado não tem lugar para estrelato. não somos chamadas por Deus para estrelar, mas para servir ao bom Mestre e sua igreja com dedicação e afinco a cada dia.
Integridade - é preciso ser integro para o pastorado , o nome que levamos vale uma vida. Ter integridade significa ter uma vida ajustada em todas as areas: emocional, financeira, familiar , não tem como acertar se não for integro em todo o proceder.
Seriedade - levar o ministério entendendo que não temos nada para dar de nós mesmas , o que temos é o que recebemos do pai Celestial. Não existem atalhos. A fé cristã não é uma corrida de 50 metros , mas uma maratona, uma corrida para a vida toda, e eu preciso ensinar isso com seriedade para minhas ovelhas.E acima de tudo precisamos entender que a Unidade não é uma opção mas um mandato de Deus para nós os chamados.
ORDENAÇÃO FEMININA (ENTREVISTA DA REVISTA ULTIMATO)
ORDENAÇÃO FEMININA (ENTREVISTA DA REVISTA ULTIMATO)
(Revista Ultimato, Março-Abril 2011
"A ordenação feminina às funções eclesiásticas oficiosas nas igrejas do país não suscitou a comoção que se antevia, nem teve o impacto que se alardeava. As mulheres não se alvoroçaram, mostraram-se algo tímidas, comedidas, como que receosas de ferir suscetibilidades masculinas. E a vida das igrejas continuou com plena tranquilidade, sem confrontos nem sobressaltos. E a obra do evangelho no país ganhou o valioso concurso da mulher consagrada e piedosa."
Recentemente, os membros de uma determinada igreja se reuniram para eleger democraticamente seus presbíteros regentes. Todos receberam uma lista em ordem alfabética com o nome dos elegíveis (os maiores de 18 anos). O número de mulheres presentes e prontas para votar era bem maior que o número de homens. Porém, por força da constituição desta e de outras denominações, nalista dos elegíveis não havia o nome de nenhuma mulher. Essa situação deve continuar? Esta entrevista discute o assunto e pretende levar o povo e as autoridades eclesiásticas a pensar e a repensar, não só com zelo, mas também com humildade. É provável que o maior obstáculo à ordenação de pastoras, presbíteras e diaconisas não seja a Palavra de Deus, mas o machismo. O entrevistado Waldyr Carvalho Luz é de inteira confiança
por sua palavra, por seu longo magistério no Seminário Presbiteriano do Sul, em Campinas, SP, por sua vida e por sua idade (94 anos). Ele é autor da tradução clássica de As Institutas, de João Calvino, professor aposentado da UNICAMP e doutor em Filosofia do Novo Testamento pelo Princeton Theological Seminary.
Os cristãos contrários à ordenação feminina argumentam que Jesus escolheu somente homens para serem apóstolos e que o Novo Testamento não apresenta claramente mulheres em posições de autoridade. O que dizer?
De mister faz-se observar, de início, que a questão da ordenança feminina às funções eclesiásticas (diaconato, presbiterato, ministério sagrado) nem sequer é ventilada através do Novo Testamento. Jesus, tanto no caso dos doze, como, quanto parece, na chamada Missão dos Setenta, aliciou apenas homens, como, aliás, era a norma no mundo contemporâneo. Se alguma outra motivação teve ele, não a explicitou. E conjecturar a esse respeito é irrelevante. Na Palestina dos dias de Jesus não haveria lugar para matriarcado e mulher em posição de autoridade, impensável aberração.
A chefia do homem na Bíblia é mera questão cultural?
Na Bíblia, reconhecidamente, conferem-se ao homem, em detrimento da mulher, autoridade e mando incontestáveis. Não resulta este predicamento de princípios ontológicos ou metafísicos, simples questão de exercício de poder, matéria de cunho puramente cultural. Mercê da obra redentora de Cristo, cancela-se a disposição vigente e implanta-se um regime de paridade e equalização, abolidas as distinções prévias, homem e mulher a fazer jus ao mesmo “status” em Cristo. Valida-se, pois, o argumento culturalista.
Os defensores da posição antagônica ao ministério feminino ordenado parecem não considerar passagens como Joel 2.28-29 e Gálatas 3.28. Certo?
Arroubos poéticos e eclosão de júbilo de um momento especial, não asserção normativa de princípio estabelecido, Joel 2.28-29 e Gálatas 3.28 não são passagens pertinentes à questão da ordenação feminina.
A ordenação pastoral deve ser precedida pelo dom ministerial. A mulher pode receber esse dom?
Normativamente, a ordenação pastoral pressupõe o dom (ou vocação) ministerial. Seja no país, seja, e especialmente, no exterior, há muitas mulheres tendo sido, e estão sendo, ordenadas ao múnus pastoral, cujo desempenho confirma, indiscutivelmente, possuírem o indispensável dom. Portanto, a toda mulher portadora do dom, ou seja, devidamente vocacionada, a ordenação pastoral deve ser prontamente conferida. Interessante é notar-se que nossa própria Igreja Presbiteriana do Brasil, por breve período, já teve diaconisas devidamente ordenadas. Descontinuou a prática em vista da reação provocada na região nordestina, a ameaça pairando de divisão denominacional. A paz e a unidade da Igreja, graças ao Senhor, prevaleceram, felizmente.
A ordenação pastoral deve ser vista como o exercício do dom do Espírito Santo dado à Igreja ou como um ofício eclesiástico dado a uma classe de pessoas?
Em última instância, a postulação da ordenação pastoral é ambivalente, por isso que só pode ser encarada como dom conferido à Igreja, mas exercido por um corpo de oficiais possuídos de prerrogativas únicas e exclusivas. Também o pode como função eclesiástica outorgada a um núcleo ou casta de elementos contemplados com um múnus peculiar, mas encaixado no âmbito da comunidade global. Não há, propriamente, polaridade, antes, pelo contrário, conjunção.
Por trás da não-ordenação de mulheres para o diaconato, o presbiterato e especialmente o ministério pastoral, não estaria escondida uma cultura machista?
Aos espíritos mais atilados, a relutância à ordenação de mulheres ao diaconato, ao presbiterato e, especialmente, ao ministério pastoral, não estaria bem escondida, pelo contrário, escancaradamente manifesta a indisfarçável cultura machista. Nada de causar espécie. Por séculos, aliás, milênios, no perpassar das civilizações em todos os quadrantes do orbe, com raríssimas exceções, o homem tem gerido as atividades humanas de modo quase absoluto, de tal sorte que o mando se lhe tornou como que parte de sua própria natureza, a mulher marginalizada, mas ao que parece resignada, ajustada e adaptada à situação, de que tira o proveito possível. É de lamentar-se que a Igreja, baluarte da defesa dos direitos humanos, que lhe deveria esposar a causa, capitulou, servindo aos ditames do machismo. Até mesmo cristãos tidos como exemplares na fé e na conduta cedem a esse predicamento. Não haja dúvida: o machismo entorpece a consciência, embota os sentimentos, degrada a razão. A mulher, porém, está rompendo os grilhões desse predicamento e o haverá de superar. É, entretanto, uma tarefa ciclópica, de tal viés, que Hércules nenhum pode botar defeito. E o dia virá, ainda que distante, quando o machismo será somente uma triste lembrança de tempos idos... para nunca mais voltarem.
Os maiores impedimentos à ordenação das mulheres são bíblicos (exegéticos) ou culturais? Alguém era ordenado na Igreja Primitiva?
No âmbito da Igreja Primitiva, a ordenação feminina era matéria fora de cogitação, assunto nem sequer ventilado, mulher nenhuma reivindicando esse direito. Contudo, há-se de ter em conta que era uma atitude passiva, dir-se-ía de alienação, ao passo que a cultural era ativa, até agressiva. Eleito e investido como presbítero, o cidadão adverso à ordenação, naturalmente, iria manter seu ponto de vista. Portanto, é de admitir-se que o elemento cultural era, na realidade, o mais influente. No que diz respeito à ordenação de ministros ou oficiais na Igreja Primitiva, é de reconhecer-se que, em tese, apesar das variações locais e temporais, há, certamente, plena correspondência ao que hoje vigora em nossas igrejas, respeitadas as diferenças denominacionais.
As mulheres ocupavam quais ofícios ou funções na Igreja Primitiva? Há exemplos? Havia limitações?
Na Igreja Primitiva não se atribuíam a mulheres ofícios e funções caracteristicamente eclesiásticas. As nobres damas que se distinguiram através do Novo Testamento sobressaíram somente por suas virtudes e qualidades pessoais, não por titularidade funcional. Assim, Dorcas é renomada por sua benevolência; Phebe, por serviço e representação; Lídia, por hospitalidade e colaboração com a ação missionária; Priscila, associada ao esposo, Áquila, orientação e instrução; Marta e Maria, as amadas irmãs, afeto, devotamento, carinho; Maria, a mãe de Jesus, que Lucas exalta eloquentemente no “Magnificat”, piedade e devotamento maternal, contudo, não superior em virtude e mérito a outras piedosas mulheres, mesmo porque não possui qualidades acima das demais, meramente agraciada pelo Senhor; sobretudo, Maria Madalena, cujo relacionamento com Jesus tem dado margem a blasfemas insinuações, devotamento, gratidão, reconhecimento o mais profundo. Limitados, mas exemplos de piedade e fé para todos os tempos.
Se é o Espírito que dá dons para a Igreja “como lhe apraz” (1Co 12.11), estaríamos desprezando ou desrespeitando o próprio Espírito ao delimitar categorias para os diversos dons?
Obviamente, desejável seria que os dons do Espírito fossem distribuídos sem delimitações de idade, sexo, classe social, grau de instrução, situação econômica, nacionalidade, cor, língua, origem, raça, visual, aparência. Verdade é que isso não significava que determinado talento ou dom não pudesse ser limitado a uma categoria especial, não extensivo a todos indiferentemente. É o que alegam os que se opõem ao ministério feminino. Há, porém, que perguntar-se: qual razão se pode, legitimamente, invocar para essa exclusão? Que o Espírito assim agiria por mero preconceito ou capricho, seria temerário afirmar. Portanto, não transparece motivação racional para justificar essa medida discricionária. Razão, pois, assiste aos que veem esse posicionamento como desprezo ou desrespeito ao Santo Espírito. Alijar, sumariamente, a mulher da participação no dom ministerial não se afigura ordenança divina, mas, ao contrário, deplorável mostra do preconceito humano.
A proibição da fala de mulheres (1Co 14.34) é paradigmática para a exclusão nos ministérios da igreja ou Paulo estaria tratando de um problema específico, que não deveríamos considerar normativo hoje?
Em 1 Coríntios 14.34, a que se devem associar, também, as Pastorais e o capítulo 5 de Efésios, Paulo não tem em mira o ministério feminino, matéria fora de cogitação na Igreja Primitiva. A injunção paulina visa à honorabilidade, respeitabilidade, dignidade, autoridade do marido, que, nos usos e costumes da época, exigiam absoluto silêncio da mulher nas assembleias e reuniões culturais da Igreja. No versículo seguinte (1Co 14.35), diz o Apóstolo que a mulher falar na Igreja era “vergonhoso”, na tradução de Almeida. O termo grego no texto é “aischrón”, que tem, entre outras, a acepção de indecente, impróprio, indigno, torpe, isto é, que traria opróbrio, desprestígio, desonra ao marido. Não se tratava, pois, de injunção teológica, mas de simples questão, digamos, de etiqueta a salvaguardar a honorabilidade do marido. Os demais autores do Novo Testamento, quanto parece, não foram tão radicais como Paulo. Era ele, como pretendem certos críticos, misógino, ferrenhamente adverso às mulheres? É questão discutível. Mas, não haja dúvida, gradativamente, foi a mulher adquirindo influência e representatividade maior.
A inclusão da mulher nos ministérios da igreja é sinal dos fins dos tempos que começaram com Jesus?
A lenta, mas progressiva inclusão da mulher nos ministérios da igreja é a resultante lógica e natural da operação iluminadora do Espírito Santo a superar limitações e barreiras descabidas que entravam a obra do evangelho. Não se reveste de caráter escatológico, nem é sinal de tempos ou do fim do mundo. É simplesmente, o produto da incoercível dinâmica do evangelho na implantação do reino de Deus ao longo da história. A inclusão da mulher na obra da igreja é um fator positivo e abençoado, que a fortalece e energiza, que deve ser acoroçoada na mais ampla medida, jamais limitada, muito menos reprimida ou contida. Se à mulher conferisse a igreja plena paridade com o homem nas funções eclesiásticas e na obra do evangelho, salta à vista que a implantação do reino de Deus entre nós seria inegavelmente mais vultosa e sólida. Não haja dúvida, quanto maior a participação feminina nas ações da igreja, tanto maiores serão as bênçãos advindas à Causa.
Muitas mulheres, apesar de fazerem um trabalho missionário pioneiro em lugares difíceis, não têm credencial para batizar e celebrar a Santa Ceia. Quando o trabalho se firma, ela vai para outro posto difícil e um obreiro vem para o lugar dela. Isso não é injusto?
No sistema de governo eclesiástico presbiteriano tradicional, segundo o elaborou o patriarca da fé, o escocês John Knox, ao ministro se conferem determinadas prerrogativas especiais, exclusivas, intransferíveis, tais o título de “reverendo”, a ministração dos sacramentos reconhecidos (batismo e Ceia do Senhor), e a impostação da bênção apostólica, aparente resquício de sacerdotalismo estranho ao espírito laicizante da Reforma. Era uma forma refinada e seletiva de concentrar poderes e atribuições eclesiásticas a elementos qualificados e prestigiados na igreja. Os chamados leigos eram excluídos desse privilégio. Não era apenas a mulher, mas toda e qualquer pessoa não ordenada clericalmente. Evangelistas, catequistas, missionários, pregadores ditos leigos, professores, seminaristas e até licenciados, não gozavam dessas atribuições. Por outro lado, estender individualmente a todo obreiro essas funções restritivas ensejaria, sem dúvida, lamentável vulgarização dos mistérios sagrados, competições mesquinhas, personalismos doentios e até exploração por parte de indivíduos oportunistas. Como vaticinava o poeta latino Ovídio, em outro contexto: “minima de malis”, isto é, dos males os menores. Ambas as formas de governo têm inconvenientes inevitáveis, mas a seletiva se afigura menos problemática, logo, é de preferir-se.
Quando a mulher se mostra muito eficiente no ministério, ela pode ser excluída por supostamente ameaçar a liderança masculina. Como evitar tal comportamento antiético?
Mulheres superdotadas, de notório espírito de liderança e notável capacidade de ação, não são raridade em nossas igrejas. Normativamente, elas desenvolvem seus talentos e dons espontaneamente, sem chancela oficial ou entendimento formal com a direção da igreja. Gozam de larga influência e são cercadas de admiração incontestável e o apoio de numeroso círculo de adeptos e simpatizantes. O problema é, especialmente no caso das mais personalistas, que passam a formar uma facção, ou partido, ou, mesmo, um poder paralelo, livre e independente. Obviamente, o pastor, cioso de sua autoridade e posição, vê no caso um desafio à sua liderança e procura neutralizar ou eliminar a rival incômoda; marginalizando-a. O que se requer é cooperação, não competição. Para tanto, ambos precisam ser humildes, sensatos, prudentes, leais, a buscarem o bem da igreja e a glória de Deus. A ação da mulher consagrada será indirimível bênção à igreja e à expansão do evangelho.
Se o ministério pastoral é para ser exercido só por homens, como explicar a participação de mulheres abençoadas e abençoadoras na Igreja de Cristo nos últimos cinquenta anos?
A participação de mulheres em funções eclesiásticas, inclusive no ministério pastoral, nos últimos cinquenta anos, em não poucas denominações, em absoluta paridade com os homens, na Igreja de Cristo ou o chamado mundo evangélico é um fato de excepcional relevância e indizível alcance. Mentalidades menos atualizadas, conservadores radicais, veem o fato como evidente decadência da fé, lamentável secularização ou mundanização da igreja, apostasia e corrupção do evangelho, enquanto espíritos mais atualizados e arrojados o encaram como inegável operação do Espírito Santo na implantação do reino de Deus. Não paira dúvida, a equiparação das mulheres aos homens nas funções eclesiásticas não apenas enriquece o quadro operacional da igreja, dinamiza-o e amplia significativamente o alcance de sua bendita operação.
Dos três maiores grupos cristãos -- Igreja Católica Romana, Igreja Ortodoxa e Igreja Protestante -- qual é o mais ferrenhamente contrário à ordenação feminina?
Dos três maiores grupos que integram a cristandade, em última análise, o mais infenso à ordenação feminina é o Catolicismo Romano. O sacerdócio somente a homens se confere e a pirâmide hierárquica dos níveis superiores é integrada por prelados que jamais podem emitir qualquer opinião discrepante. Embora à mulher se confiram certas funções subalternas, aspirar ao sacerdócio e à prelazia é impensável, quiçá blasfemo. No ortodoxismo, que rompeu com o catolicismo em 1054, tão solene em seus rituais e tocante em seu majestoso cerimonialismo, a lutar pela sobrevivência em uma inibidora política tiranicamente hostil, não haveria clima para questões desta natureza. No protestantismo, ou, melhor, no mundo evangélico da atualidade, a gama de opiniões se estende desde o crasso radicalismo ultraconservador até a fluidez do liberalismo amorfo e caótico. Destarte, na ambivalência protestante, a ordenação feminina vai desde o veto terminante até a prática indiscriminada.
Das denominações históricas brasileiras, qual é a mais fechada à ordenação feminina?
Possivelmente, em nenhuma das denominações históricas brasileiras haja unanimidade, seja favorável, seja desfavorável à ordenação feminina. Em alguns casos, os que discordam da posição oficial se acomodam, passivamente, em outras, reagem, em graus variados, mais ativamente. Assim é que, na atualidade, denominações tais como a Luterana, a Metodista, a Episcopal, a Reformada, a Presbiteriana Independente, a Presbiteriana Unida, admitem o ministério feminino; a Batista e a Congregacional, menos centralizadas, ensejam diferentes posturas, segundo as circunstâncias; as igrejas de cunho conservador ou fundamentalista, opõem-se vigorosamente. A Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), porém, é, oficialmente, a mais radicalmente infensa. Contudo, acentuado e crescente é o impacto em nossa grei, daqueles que propugnam pela reversão dessa rígida postura.
A proliferação aparentemente desordenada da ordenação feminina, em alguns casos só por serem esposas de pastores, dificulta a análise da questão?
A ordenação feminina às funções eclesiásticas oficiosas nas igrejas do país não suscitou a comoção que se antevia, nem teve o impacto que se alardeava. As mulheres não se alvoroçaram, mostraram-se algo tímidas, comedidas, como que receosas de ferir suscetibilidades masculinas. E a vida das igrejas continuou com plena tranquilidade, sem confrontos nem sobressaltos. E a obra do evangelho no país ganhou o valioso concurso da mulher consagrada e piedosa. O estudioso da questão, arguto e criterioso, não enfrentará óbices em sua análise da matéria.
Algumas denominações, além de não ordenarem mulheres para o ministério pastoral, não ordenam mulheres para o ofício do presbiterato e do diaconato. Qual sua opinião?
A cristandade se polariza entre os exclusivistas, que, sem espasmos de consciência ou pruridos de remorso, só ao homem conferem as prerrogativas e funções eclesiásticas, e os inclusivistas, que, estendem à mulher esses direitos, em paridade com o homem. Têm estes visão mais iluminada, sentimentos mais humanos, consciência mais sensível, propósito mais racional, justo, nobilitante. Não há tergiversar: estes agradam mais a Deus e melhor o servem.
Os que são contrários à ordenação feminina argumentam que, nos três primeiros capítulos do livro de Gênesis, em especial 2.18, fica claro que a mulher foi criada como simples auxiliar do homem e nunca será igual em autoridade e gestão. O que dizer?
Exegetas de grande nomeada, reconhecida competência, indiscutível probidade, e teólogos da mais elevada eminência, inegável saber e nobreza de espírito, esposam esse parecer, com distinção e dignidade incontestes. Contudo, é preciso reconhecer que, no âmbito dos que deles discordam há figuras do mais sólido gabarito e inegável saber, de probidade inatacável. Tal sendo a polaridade, um impasse que se afigura insolúvel, dir-se-á que é uma questão aberta, que requer neutralidade ou preferência puramente pessoal, não lógica ou racional. Isso, entretanto, não deve impedir que se busque adequada e procedente solução. O fulcro da questão é o teor de Gênesis 2.18. O texto bíblico retrata a mulher como “ezer Keneghdô” que nosso Almeida, versão atualizada e corrigida, traduz como “auxiliadora que lhe seja idônea”, fraseado sonoro, até elegante... mas, oracular, enigmático, ambivalente, vago, indefinido, tautológico. Dispusesse dos recursos que se fazem de mister, gostaria de examinar a Septuaginta, a Vulgata, as versões todas que nos fossem acessíveis, no afã de apreciar como traduziram a expressão hebraica e que sentido lhe atribuíram. O termo hebraico “ezer” é masculino, mais apropriadamente expresso, em acepção substantiva, não adjetiva, por “auxílio”, “ajuda”, “socorro”, tradução que, apropriadamente elimina o teor subordinativo, inferiorizante da versão corrente, como se pode perceber, com clareza, no sugestivo título “Ebenezer”, literalmente “pedra de auxílio”, jamais “pedra auxiliadora”. Por sua vez, o tríptico de termos hebraicos associados significa, literalmente: “como diante dele”, frase ambígua, que, naturalmente, se presta a variadas acepções. Todavia, como o próprio texto bíblico declara que, dentre os seres criados, não havia comparsa ou companheira à altura do homem, Deus formou a mulher e a deu ao homem por esposa e “auxílio”, complementaridade, completude, complemento, totalização de um todo a integrar, adição de parcela a somar, de sorte que homem e mulher conjugados constituem uma unidade integrada, não uma dualidade díspar, assimétrica e desigual. Nessa perspectiva, homem e mulher formam um elo, uno e indivisível, de plenos direitos e atribuições em pé de igualdade, respeitadas as diferenças, que não criam subordinação, desigualdade, redução de atribuições. Cada um desempenhará as funções a que a aptidão e a vocação lhe façam jus, pela graça de Deus. Destarte, a argumentação contrária à ordenação feminina, baseada nesta porção de Gênesis se mostra inteiramente irrelevante, quando muito mera analogia, aliás, falaciosa, que não há invocar como base de argumentação lógica. Ademais, forçoso é reconhecer que o texto do Gênesis não se refere a posições e encargos eclesiásticos, questão a decidir-se, em outras bases. No transcurso deste questionário, suficientes ponderações evidenciaram que não há impedimento escriturístico a que se atribuam à mulher funções eclesiásticas hoje privativas do homem, medida que trará farta messe de bênçãos à igreja, além de justa, igualitária, sem preconceito. Com júbilo e gratidão, nossas igrejas celebrarão o precioso concurso de nossas ministras e pastoras, presbíteras e diaconisas, piedosas, reverentes e consagradas a servir ao Senhor, como, com reconhecido êxito, vem acontecendo em outras denominações evangélicas.
A Igreja Presbiteriana do Brasil, hoje tão resistente à ideia de ordenação feminina, acabará aderindo ao que tanto se opõe?
Tudo parece mostrar que essa é a inevitável marcha dos acontecimentos, e a IPB, mais cedo ou mais tarde, terá de ceder à pressão dos fatos. E quanto mais cedo, tanto melhor. Então, una e coesa, militará a IPB, ao lado de tantas outras denominações na bendita cruzada da fé, no sagrado empenho da implantação do reino de Deus entre os homens, a maior necessidade deste mundo escravizado pelo mal.
extraido do blog da pastora Zenilda
(Revista Ultimato, Março-Abril 2011
"A ordenação feminina às funções eclesiásticas oficiosas nas igrejas do país não suscitou a comoção que se antevia, nem teve o impacto que se alardeava. As mulheres não se alvoroçaram, mostraram-se algo tímidas, comedidas, como que receosas de ferir suscetibilidades masculinas. E a vida das igrejas continuou com plena tranquilidade, sem confrontos nem sobressaltos. E a obra do evangelho no país ganhou o valioso concurso da mulher consagrada e piedosa."
Recentemente, os membros de uma determinada igreja se reuniram para eleger democraticamente seus presbíteros regentes. Todos receberam uma lista em ordem alfabética com o nome dos elegíveis (os maiores de 18 anos). O número de mulheres presentes e prontas para votar era bem maior que o número de homens. Porém, por força da constituição desta e de outras denominações, nalista dos elegíveis não havia o nome de nenhuma mulher. Essa situação deve continuar? Esta entrevista discute o assunto e pretende levar o povo e as autoridades eclesiásticas a pensar e a repensar, não só com zelo, mas também com humildade. É provável que o maior obstáculo à ordenação de pastoras, presbíteras e diaconisas não seja a Palavra de Deus, mas o machismo. O entrevistado Waldyr Carvalho Luz é de inteira confiança
por sua palavra, por seu longo magistério no Seminário Presbiteriano do Sul, em Campinas, SP, por sua vida e por sua idade (94 anos). Ele é autor da tradução clássica de As Institutas, de João Calvino, professor aposentado da UNICAMP e doutor em Filosofia do Novo Testamento pelo Princeton Theological Seminary.
Os cristãos contrários à ordenação feminina argumentam que Jesus escolheu somente homens para serem apóstolos e que o Novo Testamento não apresenta claramente mulheres em posições de autoridade. O que dizer?
De mister faz-se observar, de início, que a questão da ordenança feminina às funções eclesiásticas (diaconato, presbiterato, ministério sagrado) nem sequer é ventilada através do Novo Testamento. Jesus, tanto no caso dos doze, como, quanto parece, na chamada Missão dos Setenta, aliciou apenas homens, como, aliás, era a norma no mundo contemporâneo. Se alguma outra motivação teve ele, não a explicitou. E conjecturar a esse respeito é irrelevante. Na Palestina dos dias de Jesus não haveria lugar para matriarcado e mulher em posição de autoridade, impensável aberração.
A chefia do homem na Bíblia é mera questão cultural?
Na Bíblia, reconhecidamente, conferem-se ao homem, em detrimento da mulher, autoridade e mando incontestáveis. Não resulta este predicamento de princípios ontológicos ou metafísicos, simples questão de exercício de poder, matéria de cunho puramente cultural. Mercê da obra redentora de Cristo, cancela-se a disposição vigente e implanta-se um regime de paridade e equalização, abolidas as distinções prévias, homem e mulher a fazer jus ao mesmo “status” em Cristo. Valida-se, pois, o argumento culturalista.
Os defensores da posição antagônica ao ministério feminino ordenado parecem não considerar passagens como Joel 2.28-29 e Gálatas 3.28. Certo?
Arroubos poéticos e eclosão de júbilo de um momento especial, não asserção normativa de princípio estabelecido, Joel 2.28-29 e Gálatas 3.28 não são passagens pertinentes à questão da ordenação feminina.
A ordenação pastoral deve ser precedida pelo dom ministerial. A mulher pode receber esse dom?
Normativamente, a ordenação pastoral pressupõe o dom (ou vocação) ministerial. Seja no país, seja, e especialmente, no exterior, há muitas mulheres tendo sido, e estão sendo, ordenadas ao múnus pastoral, cujo desempenho confirma, indiscutivelmente, possuírem o indispensável dom. Portanto, a toda mulher portadora do dom, ou seja, devidamente vocacionada, a ordenação pastoral deve ser prontamente conferida. Interessante é notar-se que nossa própria Igreja Presbiteriana do Brasil, por breve período, já teve diaconisas devidamente ordenadas. Descontinuou a prática em vista da reação provocada na região nordestina, a ameaça pairando de divisão denominacional. A paz e a unidade da Igreja, graças ao Senhor, prevaleceram, felizmente.
A ordenação pastoral deve ser vista como o exercício do dom do Espírito Santo dado à Igreja ou como um ofício eclesiástico dado a uma classe de pessoas?
Em última instância, a postulação da ordenação pastoral é ambivalente, por isso que só pode ser encarada como dom conferido à Igreja, mas exercido por um corpo de oficiais possuídos de prerrogativas únicas e exclusivas. Também o pode como função eclesiástica outorgada a um núcleo ou casta de elementos contemplados com um múnus peculiar, mas encaixado no âmbito da comunidade global. Não há, propriamente, polaridade, antes, pelo contrário, conjunção.
Por trás da não-ordenação de mulheres para o diaconato, o presbiterato e especialmente o ministério pastoral, não estaria escondida uma cultura machista?
Aos espíritos mais atilados, a relutância à ordenação de mulheres ao diaconato, ao presbiterato e, especialmente, ao ministério pastoral, não estaria bem escondida, pelo contrário, escancaradamente manifesta a indisfarçável cultura machista. Nada de causar espécie. Por séculos, aliás, milênios, no perpassar das civilizações em todos os quadrantes do orbe, com raríssimas exceções, o homem tem gerido as atividades humanas de modo quase absoluto, de tal sorte que o mando se lhe tornou como que parte de sua própria natureza, a mulher marginalizada, mas ao que parece resignada, ajustada e adaptada à situação, de que tira o proveito possível. É de lamentar-se que a Igreja, baluarte da defesa dos direitos humanos, que lhe deveria esposar a causa, capitulou, servindo aos ditames do machismo. Até mesmo cristãos tidos como exemplares na fé e na conduta cedem a esse predicamento. Não haja dúvida: o machismo entorpece a consciência, embota os sentimentos, degrada a razão. A mulher, porém, está rompendo os grilhões desse predicamento e o haverá de superar. É, entretanto, uma tarefa ciclópica, de tal viés, que Hércules nenhum pode botar defeito. E o dia virá, ainda que distante, quando o machismo será somente uma triste lembrança de tempos idos... para nunca mais voltarem.
Os maiores impedimentos à ordenação das mulheres são bíblicos (exegéticos) ou culturais? Alguém era ordenado na Igreja Primitiva?
No âmbito da Igreja Primitiva, a ordenação feminina era matéria fora de cogitação, assunto nem sequer ventilado, mulher nenhuma reivindicando esse direito. Contudo, há-se de ter em conta que era uma atitude passiva, dir-se-ía de alienação, ao passo que a cultural era ativa, até agressiva. Eleito e investido como presbítero, o cidadão adverso à ordenação, naturalmente, iria manter seu ponto de vista. Portanto, é de admitir-se que o elemento cultural era, na realidade, o mais influente. No que diz respeito à ordenação de ministros ou oficiais na Igreja Primitiva, é de reconhecer-se que, em tese, apesar das variações locais e temporais, há, certamente, plena correspondência ao que hoje vigora em nossas igrejas, respeitadas as diferenças denominacionais.
As mulheres ocupavam quais ofícios ou funções na Igreja Primitiva? Há exemplos? Havia limitações?
Na Igreja Primitiva não se atribuíam a mulheres ofícios e funções caracteristicamente eclesiásticas. As nobres damas que se distinguiram através do Novo Testamento sobressaíram somente por suas virtudes e qualidades pessoais, não por titularidade funcional. Assim, Dorcas é renomada por sua benevolência; Phebe, por serviço e representação; Lídia, por hospitalidade e colaboração com a ação missionária; Priscila, associada ao esposo, Áquila, orientação e instrução; Marta e Maria, as amadas irmãs, afeto, devotamento, carinho; Maria, a mãe de Jesus, que Lucas exalta eloquentemente no “Magnificat”, piedade e devotamento maternal, contudo, não superior em virtude e mérito a outras piedosas mulheres, mesmo porque não possui qualidades acima das demais, meramente agraciada pelo Senhor; sobretudo, Maria Madalena, cujo relacionamento com Jesus tem dado margem a blasfemas insinuações, devotamento, gratidão, reconhecimento o mais profundo. Limitados, mas exemplos de piedade e fé para todos os tempos.
Se é o Espírito que dá dons para a Igreja “como lhe apraz” (1Co 12.11), estaríamos desprezando ou desrespeitando o próprio Espírito ao delimitar categorias para os diversos dons?
Obviamente, desejável seria que os dons do Espírito fossem distribuídos sem delimitações de idade, sexo, classe social, grau de instrução, situação econômica, nacionalidade, cor, língua, origem, raça, visual, aparência. Verdade é que isso não significava que determinado talento ou dom não pudesse ser limitado a uma categoria especial, não extensivo a todos indiferentemente. É o que alegam os que se opõem ao ministério feminino. Há, porém, que perguntar-se: qual razão se pode, legitimamente, invocar para essa exclusão? Que o Espírito assim agiria por mero preconceito ou capricho, seria temerário afirmar. Portanto, não transparece motivação racional para justificar essa medida discricionária. Razão, pois, assiste aos que veem esse posicionamento como desprezo ou desrespeito ao Santo Espírito. Alijar, sumariamente, a mulher da participação no dom ministerial não se afigura ordenança divina, mas, ao contrário, deplorável mostra do preconceito humano.
A proibição da fala de mulheres (1Co 14.34) é paradigmática para a exclusão nos ministérios da igreja ou Paulo estaria tratando de um problema específico, que não deveríamos considerar normativo hoje?
Em 1 Coríntios 14.34, a que se devem associar, também, as Pastorais e o capítulo 5 de Efésios, Paulo não tem em mira o ministério feminino, matéria fora de cogitação na Igreja Primitiva. A injunção paulina visa à honorabilidade, respeitabilidade, dignidade, autoridade do marido, que, nos usos e costumes da época, exigiam absoluto silêncio da mulher nas assembleias e reuniões culturais da Igreja. No versículo seguinte (1Co 14.35), diz o Apóstolo que a mulher falar na Igreja era “vergonhoso”, na tradução de Almeida. O termo grego no texto é “aischrón”, que tem, entre outras, a acepção de indecente, impróprio, indigno, torpe, isto é, que traria opróbrio, desprestígio, desonra ao marido. Não se tratava, pois, de injunção teológica, mas de simples questão, digamos, de etiqueta a salvaguardar a honorabilidade do marido. Os demais autores do Novo Testamento, quanto parece, não foram tão radicais como Paulo. Era ele, como pretendem certos críticos, misógino, ferrenhamente adverso às mulheres? É questão discutível. Mas, não haja dúvida, gradativamente, foi a mulher adquirindo influência e representatividade maior.
A inclusão da mulher nos ministérios da igreja é sinal dos fins dos tempos que começaram com Jesus?
A lenta, mas progressiva inclusão da mulher nos ministérios da igreja é a resultante lógica e natural da operação iluminadora do Espírito Santo a superar limitações e barreiras descabidas que entravam a obra do evangelho. Não se reveste de caráter escatológico, nem é sinal de tempos ou do fim do mundo. É simplesmente, o produto da incoercível dinâmica do evangelho na implantação do reino de Deus ao longo da história. A inclusão da mulher na obra da igreja é um fator positivo e abençoado, que a fortalece e energiza, que deve ser acoroçoada na mais ampla medida, jamais limitada, muito menos reprimida ou contida. Se à mulher conferisse a igreja plena paridade com o homem nas funções eclesiásticas e na obra do evangelho, salta à vista que a implantação do reino de Deus entre nós seria inegavelmente mais vultosa e sólida. Não haja dúvida, quanto maior a participação feminina nas ações da igreja, tanto maiores serão as bênçãos advindas à Causa.
Muitas mulheres, apesar de fazerem um trabalho missionário pioneiro em lugares difíceis, não têm credencial para batizar e celebrar a Santa Ceia. Quando o trabalho se firma, ela vai para outro posto difícil e um obreiro vem para o lugar dela. Isso não é injusto?
No sistema de governo eclesiástico presbiteriano tradicional, segundo o elaborou o patriarca da fé, o escocês John Knox, ao ministro se conferem determinadas prerrogativas especiais, exclusivas, intransferíveis, tais o título de “reverendo”, a ministração dos sacramentos reconhecidos (batismo e Ceia do Senhor), e a impostação da bênção apostólica, aparente resquício de sacerdotalismo estranho ao espírito laicizante da Reforma. Era uma forma refinada e seletiva de concentrar poderes e atribuições eclesiásticas a elementos qualificados e prestigiados na igreja. Os chamados leigos eram excluídos desse privilégio. Não era apenas a mulher, mas toda e qualquer pessoa não ordenada clericalmente. Evangelistas, catequistas, missionários, pregadores ditos leigos, professores, seminaristas e até licenciados, não gozavam dessas atribuições. Por outro lado, estender individualmente a todo obreiro essas funções restritivas ensejaria, sem dúvida, lamentável vulgarização dos mistérios sagrados, competições mesquinhas, personalismos doentios e até exploração por parte de indivíduos oportunistas. Como vaticinava o poeta latino Ovídio, em outro contexto: “minima de malis”, isto é, dos males os menores. Ambas as formas de governo têm inconvenientes inevitáveis, mas a seletiva se afigura menos problemática, logo, é de preferir-se.
Quando a mulher se mostra muito eficiente no ministério, ela pode ser excluída por supostamente ameaçar a liderança masculina. Como evitar tal comportamento antiético?
Mulheres superdotadas, de notório espírito de liderança e notável capacidade de ação, não são raridade em nossas igrejas. Normativamente, elas desenvolvem seus talentos e dons espontaneamente, sem chancela oficial ou entendimento formal com a direção da igreja. Gozam de larga influência e são cercadas de admiração incontestável e o apoio de numeroso círculo de adeptos e simpatizantes. O problema é, especialmente no caso das mais personalistas, que passam a formar uma facção, ou partido, ou, mesmo, um poder paralelo, livre e independente. Obviamente, o pastor, cioso de sua autoridade e posição, vê no caso um desafio à sua liderança e procura neutralizar ou eliminar a rival incômoda; marginalizando-a. O que se requer é cooperação, não competição. Para tanto, ambos precisam ser humildes, sensatos, prudentes, leais, a buscarem o bem da igreja e a glória de Deus. A ação da mulher consagrada será indirimível bênção à igreja e à expansão do evangelho.
Se o ministério pastoral é para ser exercido só por homens, como explicar a participação de mulheres abençoadas e abençoadoras na Igreja de Cristo nos últimos cinquenta anos?
A participação de mulheres em funções eclesiásticas, inclusive no ministério pastoral, nos últimos cinquenta anos, em não poucas denominações, em absoluta paridade com os homens, na Igreja de Cristo ou o chamado mundo evangélico é um fato de excepcional relevância e indizível alcance. Mentalidades menos atualizadas, conservadores radicais, veem o fato como evidente decadência da fé, lamentável secularização ou mundanização da igreja, apostasia e corrupção do evangelho, enquanto espíritos mais atualizados e arrojados o encaram como inegável operação do Espírito Santo na implantação do reino de Deus. Não paira dúvida, a equiparação das mulheres aos homens nas funções eclesiásticas não apenas enriquece o quadro operacional da igreja, dinamiza-o e amplia significativamente o alcance de sua bendita operação.
Dos três maiores grupos cristãos -- Igreja Católica Romana, Igreja Ortodoxa e Igreja Protestante -- qual é o mais ferrenhamente contrário à ordenação feminina?
Dos três maiores grupos que integram a cristandade, em última análise, o mais infenso à ordenação feminina é o Catolicismo Romano. O sacerdócio somente a homens se confere e a pirâmide hierárquica dos níveis superiores é integrada por prelados que jamais podem emitir qualquer opinião discrepante. Embora à mulher se confiram certas funções subalternas, aspirar ao sacerdócio e à prelazia é impensável, quiçá blasfemo. No ortodoxismo, que rompeu com o catolicismo em 1054, tão solene em seus rituais e tocante em seu majestoso cerimonialismo, a lutar pela sobrevivência em uma inibidora política tiranicamente hostil, não haveria clima para questões desta natureza. No protestantismo, ou, melhor, no mundo evangélico da atualidade, a gama de opiniões se estende desde o crasso radicalismo ultraconservador até a fluidez do liberalismo amorfo e caótico. Destarte, na ambivalência protestante, a ordenação feminina vai desde o veto terminante até a prática indiscriminada.
Das denominações históricas brasileiras, qual é a mais fechada à ordenação feminina?
Possivelmente, em nenhuma das denominações históricas brasileiras haja unanimidade, seja favorável, seja desfavorável à ordenação feminina. Em alguns casos, os que discordam da posição oficial se acomodam, passivamente, em outras, reagem, em graus variados, mais ativamente. Assim é que, na atualidade, denominações tais como a Luterana, a Metodista, a Episcopal, a Reformada, a Presbiteriana Independente, a Presbiteriana Unida, admitem o ministério feminino; a Batista e a Congregacional, menos centralizadas, ensejam diferentes posturas, segundo as circunstâncias; as igrejas de cunho conservador ou fundamentalista, opõem-se vigorosamente. A Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), porém, é, oficialmente, a mais radicalmente infensa. Contudo, acentuado e crescente é o impacto em nossa grei, daqueles que propugnam pela reversão dessa rígida postura.
A proliferação aparentemente desordenada da ordenação feminina, em alguns casos só por serem esposas de pastores, dificulta a análise da questão?
A ordenação feminina às funções eclesiásticas oficiosas nas igrejas do país não suscitou a comoção que se antevia, nem teve o impacto que se alardeava. As mulheres não se alvoroçaram, mostraram-se algo tímidas, comedidas, como que receosas de ferir suscetibilidades masculinas. E a vida das igrejas continuou com plena tranquilidade, sem confrontos nem sobressaltos. E a obra do evangelho no país ganhou o valioso concurso da mulher consagrada e piedosa. O estudioso da questão, arguto e criterioso, não enfrentará óbices em sua análise da matéria.
Algumas denominações, além de não ordenarem mulheres para o ministério pastoral, não ordenam mulheres para o ofício do presbiterato e do diaconato. Qual sua opinião?
A cristandade se polariza entre os exclusivistas, que, sem espasmos de consciência ou pruridos de remorso, só ao homem conferem as prerrogativas e funções eclesiásticas, e os inclusivistas, que, estendem à mulher esses direitos, em paridade com o homem. Têm estes visão mais iluminada, sentimentos mais humanos, consciência mais sensível, propósito mais racional, justo, nobilitante. Não há tergiversar: estes agradam mais a Deus e melhor o servem.
Os que são contrários à ordenação feminina argumentam que, nos três primeiros capítulos do livro de Gênesis, em especial 2.18, fica claro que a mulher foi criada como simples auxiliar do homem e nunca será igual em autoridade e gestão. O que dizer?
Exegetas de grande nomeada, reconhecida competência, indiscutível probidade, e teólogos da mais elevada eminência, inegável saber e nobreza de espírito, esposam esse parecer, com distinção e dignidade incontestes. Contudo, é preciso reconhecer que, no âmbito dos que deles discordam há figuras do mais sólido gabarito e inegável saber, de probidade inatacável. Tal sendo a polaridade, um impasse que se afigura insolúvel, dir-se-á que é uma questão aberta, que requer neutralidade ou preferência puramente pessoal, não lógica ou racional. Isso, entretanto, não deve impedir que se busque adequada e procedente solução. O fulcro da questão é o teor de Gênesis 2.18. O texto bíblico retrata a mulher como “ezer Keneghdô” que nosso Almeida, versão atualizada e corrigida, traduz como “auxiliadora que lhe seja idônea”, fraseado sonoro, até elegante... mas, oracular, enigmático, ambivalente, vago, indefinido, tautológico. Dispusesse dos recursos que se fazem de mister, gostaria de examinar a Septuaginta, a Vulgata, as versões todas que nos fossem acessíveis, no afã de apreciar como traduziram a expressão hebraica e que sentido lhe atribuíram. O termo hebraico “ezer” é masculino, mais apropriadamente expresso, em acepção substantiva, não adjetiva, por “auxílio”, “ajuda”, “socorro”, tradução que, apropriadamente elimina o teor subordinativo, inferiorizante da versão corrente, como se pode perceber, com clareza, no sugestivo título “Ebenezer”, literalmente “pedra de auxílio”, jamais “pedra auxiliadora”. Por sua vez, o tríptico de termos hebraicos associados significa, literalmente: “como diante dele”, frase ambígua, que, naturalmente, se presta a variadas acepções. Todavia, como o próprio texto bíblico declara que, dentre os seres criados, não havia comparsa ou companheira à altura do homem, Deus formou a mulher e a deu ao homem por esposa e “auxílio”, complementaridade, completude, complemento, totalização de um todo a integrar, adição de parcela a somar, de sorte que homem e mulher conjugados constituem uma unidade integrada, não uma dualidade díspar, assimétrica e desigual. Nessa perspectiva, homem e mulher formam um elo, uno e indivisível, de plenos direitos e atribuições em pé de igualdade, respeitadas as diferenças, que não criam subordinação, desigualdade, redução de atribuições. Cada um desempenhará as funções a que a aptidão e a vocação lhe façam jus, pela graça de Deus. Destarte, a argumentação contrária à ordenação feminina, baseada nesta porção de Gênesis se mostra inteiramente irrelevante, quando muito mera analogia, aliás, falaciosa, que não há invocar como base de argumentação lógica. Ademais, forçoso é reconhecer que o texto do Gênesis não se refere a posições e encargos eclesiásticos, questão a decidir-se, em outras bases. No transcurso deste questionário, suficientes ponderações evidenciaram que não há impedimento escriturístico a que se atribuam à mulher funções eclesiásticas hoje privativas do homem, medida que trará farta messe de bênçãos à igreja, além de justa, igualitária, sem preconceito. Com júbilo e gratidão, nossas igrejas celebrarão o precioso concurso de nossas ministras e pastoras, presbíteras e diaconisas, piedosas, reverentes e consagradas a servir ao Senhor, como, com reconhecido êxito, vem acontecendo em outras denominações evangélicas.
A Igreja Presbiteriana do Brasil, hoje tão resistente à ideia de ordenação feminina, acabará aderindo ao que tanto se opõe?
Tudo parece mostrar que essa é a inevitável marcha dos acontecimentos, e a IPB, mais cedo ou mais tarde, terá de ceder à pressão dos fatos. E quanto mais cedo, tanto melhor. Então, una e coesa, militará a IPB, ao lado de tantas outras denominações na bendita cruzada da fé, no sagrado empenho da implantação do reino de Deus entre os homens, a maior necessidade deste mundo escravizado pelo mal.
extraido do blog da pastora Zenilda
Assinar:
Postagens (Atom)