Um Grito no Meio do Silencio
Cântico de Maria:
“ Então disse Maria: Minha alma engrandece ao Senhor. E o meu espírito se alegra em Deus meu salvador, pois atentou para humildade da sua serva. De agora em diante todas as gerações me chamarão bem-aventurada pois o poderoso fez grandes coisas em meu favor; Santo é o seu nome. A sua misericórdia estende-se aos que o temem, de geração em geração. Ele realizou poderosos feitos com seus braços, dispersou os que são soberbos no mais intimo de seu coração. Derrubou governantes dos seus tronos. Mas exaltou os humildes. Encheu de coisas boas os famintos, mas despediu de mãos vazias os ricos. Ajudou a seu servo Israel, lembrando-se da sua misericórdia para com Abraão e seus descendentes para sempre, como dissera aos nossos antepassados. (Lucas 1.46-55)
Este cântico de Maria expressa a mulher de hoje que se impõe corajosa, sofrida, magoada e forte, mas, sobretudo persistente. A sociedade não resiste a suas pressões e a deixa passar, conquistar e abrir novos caminhos. Isto, porém, não é algo novo, eu diria que sempre foi assim. A mulher sempre conquistando seu lugar: na Bíblia, no passado, hoje e, creio, que ainda no futuro. Veremos muitas lutas a serem travadas e vitórias a serem conquistadas. Nós teremos que conviver com essa realidade; porém não precisamos nos acomodar a ela é por isso que é relevante refletir no papel da mulher na sociedade e na igreja.
Foi refletindo no papel da missão da mulher na igreja que percorremos o árduo trabalho de pesquisa que aqui apresentamos. Não foi tarefa fácil. Como tudo na vida da mulher é difícil. Confessamos que por vezes fomos levadas a querer desistir por falta de material escrito nos dias de hoje em português, mas persistimos buscando ter uma melhor compreensão do assunto, com o objetivo único de conduzir o leitor para uma nova reflexão do papel da mulher.
Nossa caminhada para este trabalho foi até São Paulo. Lá participamos do 1º LUMMIC (Congresso Brasileiro de Reflexão sobre o lugar da Mulher na Missão da Igreja Cristã). O Congresso aconteceu na Igreja Batista de Campo Limpo SP. O Ministério Pastoral desta igreja é exercido pela a Pr.ª Silvia Nogueira que foi ordenada em circunstâncias polêmicas e adversas. Após sua ordenação pastora Silvia Nogueira teve a tristeza de ver sua igreja excluída do rol das associadas da Convenção Batista Paulistana, a qual pleiteou a sua exclusão, também, junto a Convenção Batista Brasileira, sem sucesso (histórico em anexo).
Todavia, tivemos a felicidade de conhecer irmãos batistas daquela igreja que saboreiam o prazer de ter a liderança pastoral nas mãos de uma mulher. O pastorado de Silvia transcorre na mais absoluta paz e harmonia com os propósitos de Deus, haja vista a sua vocação pastoral inquestionável, reconhecida por aquela igreja que lutou bravamente contra o legalismo e o fundamentalismo que no passar dos tempos tem se enraizado no seio de nossas igrejas.
No entanto, nem tudo está perdido. Como em toda regra há exceção, o fundamentalismo e o legalismo foram também vencidos pelos irmãos da Convenção Batista Cearense, que a despeito do que fez a Convenção Batista Paulistana respondeu positivamente ao pedido de ordenação da Igreja Batista localizada na periferia da cidade de Fortaleza CE. Aquela igreja apresentou como candidata a Irmã Elizabeth Carvalho Teófilo. O processo transcorreu com tranqüilidade na Ordem dos Pastores que após estudo e aprovação do assunto, por maioria absoluta, decidiu realizar o concilio daquela irmã, por ocasião do retiro dos pastores. Essa decisão foi acatada pela igreja por confiar que a Ordem dos Pastores Cearenses agiria debaixo do temor Senhor. Finalmente, ocorreu como se esperava a ordenação da Pastora Elizabeth Carvalho Teófilo, a qual nos deu o privilégio de conceder uma entrevista com exclusividade para essa monografia (em anexo).
Iniciamos nossa pesquisa falando a respeito da história da Teologia Feminina. Não poderíamos falar de ministério feminino sem conhecer um pouco essa história de conquistas, de acertos e (também reconhecemos), de alguns erros.
Nossa caminhada percorreu também por alguns postulados teológicos iniciando pela Criação da Mulher, pois acreditamos que a única maneira de entender a liberdade que há em Jesus Cristo é aprendendo um pouco sobre o início de tudo.
A seguir, no terceiro capítulo, falamos a respeito de um outro postulado que é o do pecado e suas graves conseqüências para a humanidade e como foi a mulher afetada por tudo isso. Sabemos que foi o pecado que causou a separação de Deus do homem, porém precisamos entender como essa alienação foi projetada na vida da humanidade em que bases foram alicerçadas as seqüelas da desobediência de Eva e de Adão.
É no quarto capítulo, no entanto, que o nosso grito de liberdade soa forte e contundente, quando falamos do relacionamento de Jesus com as mulheres. Percebemos que as mulheres foram de fundamental importância nesse ministério. Elas exerceram a liberdade da salvação antes mesmo dos discípulos terem compreendido qual seria o papel deles no Reino de Deus.
Aproveitamos também a oportunidade para conhecer um pouco da história das mulheres que muito já lutaram pela causa, a vida das mulheres na Bíblia e na igreja contemporânea. Mesmo alienadas e sofrendo as terríveis conseqüências do pecado na humanidade elas não desistiram de viver a liberdade em Cristo. Essas verdades observam estampadas nas páginas do Livro Sagrado, a Bíblia.
E por fim, sem querer esgotar o assunto, emitimos o nosso parecer a respeito do tema Ministério Feminino abrangendo especificamente a área Pastoral. Sabemos que as mulheres de hoje já tem acesso a vários trabalhos na igreja, elas exercem a liderança em muitas das áreas que antes eram restritas aos homens: Educação Religiosa e o Ministério de Música. Entretanto o problema ainda se encontra no Ministério Pastoral. Refletiremos nos postulados da igreja primitiva sua organização e desenvolvimento e veremos se há relevância na posição de muitas igrejas que ainda hoje apresentam uma tremenda dificuldade para aceitar a mulher na liderança. Há uma verdade de autoridade ou autoritarismo envolvendo essa questão?
Queremos agradecer a Deus, primeiramente. Agradecemos também ao Pastor Mauro Clementino da Silva, que muito nos marcou dando a sua contribuição para esse trabalho, quando nos doou o seu tempo precioso para nos relatar seu parecer a respeito do Ministério Feminino; à Pastora Silvia Nogueira da Igreja Batista de Campo Limpo SP, que contribuiu grandemente para a realização desta obra, com sua força e garra de mulher guerreira nos inspirando a continuar sempre; à Pastora Elizabeth Carvalho Teófilo da Igreja Batista de Fortaleza CE, que muito nos ajudou em oração e contribuiu de maneira a deixar sua marca neste trabalho; ao meu querido professor Pastor John Pullin, pela sua transparência e compreensão em reconhecer a nossa labuta e não medir esforços para sempre nos incentivar a seguir em frente.
Não poderíamos deixar de agradecer também aos nossos queridos colegas de sala de aula que sempre nos incentivaram e motivaram nessa nossa caminhada; aos nossos colaboradores: Prof. e Pr. Da PIB de Campo Grande MS, José Miguel Aguilera (que mesmo não fazendo mais parte do quadro docente do Seminário Teológico), nos deu o privilégio da sua contribuição teológica para a confecção deste trabalho de pesquisa bem como à Prof.ª e Psicóloga Rosilene Gisoatto; aos nossos professores do curso de teologia , entre eles destacamos o Professor Pastor Osvaldo Bomfim e Pastor Bruno Jorge Rodrigues de Magalhães pelas ricas aulas que nos proporcionaram e pelas oportunidades que criaram para a reflexão do tema.
Particularmente agradeço ao Seminário Teológico Batista do Oeste do Brasil , na pessoa de seu Reitor Pr. Paulo Alberto Fontanetta, pela motivação e respeito com que sempre tratou o assunto do Ministério Pastoral Feminino; ao Deão Acadêmico Pastor Marcos Batista que foi um apoio constante e seguro nos conduzindo a sonhar sempre; ao Deão de Alunos Pastor Paulo Barão por ceder seus ouvidos e orar comigo; a minha Igreja amada que me sustentou em oração; à grande amiga e irmã em Cristo Marluce Moreno de Magalhães Gomes que dedicou seu precioso tempo na correção desse trabalho; à minha querida Missionária Evanir Carvalho dos Santos que sempre foi para mim um exemplo a ser seguido, como incentivadora e sustentadora do Ministério Feminino.
Agradeço em especial ao meu amado esposo Ingo Mette e meus queridos filhos: Alessandra, Liliane e Daniel Varela Mette que souberam, com paciência, me suportar nesse longo período de estudos.
Nossa intenção com esse trabalho é trazer luz onde há trevas. Não pretendemos fazer história, nem polemizar. O que realmente procuramos foi refletir de maneira clara e sem preconceito visando sempre olhar para Jesus Cristo que é o autor e consumador de nossa Fé.
Agradeço por fim, a Deus, meu Senhor e Salvador . Mas é muito pouco, apenas agradecê-lo em primeiro e último lugar. Por isso dedico a Deus esta monografia; a Ele toda a Honra e toda a Glória !